500 palavras para falar de mim

IMG_0425Desde que abracei o mundo, um turbilhão de coisas passaram por mim e deixaram seu rastro. Estourar a minha bolha e abandonar meu paraíso particular foi um passo que tive que dar sozinho, mesmo não tendo noção do que eu estava prestes a fazer. Só olhando para trás que percebo o mar negro que venho nadando até agora – e encaro o horizonte na esperança de encontrar terra firme, mas o caminho se apresenta longo. Por um lado eu me divirto nessa profusão de incertezas e caminhos tortos, mergulhando nos desafios e dando de cara com dunas rasas (e abismos profundos). Já por outro eu faço questão de pôr meu pé atrás – e bem longe do chão, para não perder as esperanças.

Bobagem minha pensar que seria capaz de escrever minha história por linhas retas, tive que aprender me afogando nas ondas desse mar que permaneço navegando. E quando a maré parece ser devastadora, olho meu reflexo na calmaria e percebo que devastadora é a minha falta de vontade, falta de querer, falta de tentativa. Persisto nos meus próprios vícios e erros só para quebrar a cara mais uma vez, assim continuo a dar pauta para o meu ardiloso consciente intrusivo – que me cobra sem dó nem ré. E a partir dessa cobrança que meus braços ganham forças para continuar seguindo em frente, partindo as ondas que ousam me atrapalhar e me naufragar no meu próprio caos.

Meu caos é cinza, cinza escuro. Para não ser um ponto em destaque em meio a essa infinidade acromática, prefiro criar minhas artimanhas. Abdico a minha singularidade e me homogenizo, assim é bem melhor. Nado disfarçado entre as pestes e monstros que podem me atrapalhar no meio do caminho, assim posso ficar sossegado. Só que nem tudo são flores, o outro lado da moeda é um espelho que me encara – e me envergonha de estar escondendo a minha personalidade. Eu sou bem mais que isso, mas preferi ser menos.

Eu não quero colocar os pés no chão, quero continuar boiando nesse oceano, quero encarar o céu e pensar que ele é infinito, pensar que ainda posso alcançá-lo sem medo. Colocar os pés no chão dói (e muito). Sempre que ouso experimentar, eu me vejo divido em dois: Me aninhar debaixo do fluxo do caos, ou me arriscar na superfície? Por enquanto eu prefiro ficar por aqui mesmo, aproveitando do frescor das brisas que passam de vez em quando.
Você já experimentou colocar os pés no chão? O fundo desse mar é negro, a pressão sobre as nossas cabeças é grande. Pelo menos aqui em cima eu continuo nadando em frente, lá embaixo eu só finco os meus pés na areia. Lá embaixo eu vivo, aqui em cima eu sobrevivo. E é só porque eu SOBREvivo que eu me sinto VIVO!

Desculpa se a minha particularidade é confusa e mal expressada, mas gosto do mistério que a minha ignorância preserva sobre os meus sentimentos. Se o que vem daqui para frente é escuro, eu quebro as trevas com a minha esperança inesgotável. Um dia eu chego lá.

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